Nenhuma lei brasileira fixa um número de anos para a validade do capacete de segurança: quem define a vida útil é o fabricante, no manual e nas marcações do produto, e muitos indicam algo em torno de cinco anos para o casco, contados a partir da fabricação ou do início do uso, conforme o modelo. Esse número é apenas uma média do mercado e pode ficar bem menor quando o capacete trabalha sob sol forte, calor, produtos químicos ou sofre impactos. Qualquer trinca, deformação ou ressecamento exige a troca imediata, mesmo que o prazo informado ainda não tenha terminado.
O que a norma diz sobre o prazo
A NR-6, norma do Ministério do Trabalho sobre EPI, não estabelece quantos anos um capacete pode ser usado. Ela determina que o EPI seja vendido com Certificado de Aprovação válido e que, a partir da compra, valham as regras de guarda e o tempo de uso que o próprio fabricante ou importador indicar. Também obriga a empresa a substituir imediatamente o equipamento danificado. Em outras palavras, a lei transfere a definição do prazo para quem projetou e ensaiou o produto, e a decisão de troca antecipada para a inspeção do dia a dia.
É comum ouvir que o capacete vence junto com o CA. Não é assim: o certificado tem prazo próprio, ligado à aprovação do modelo pelo Ministério do Trabalho, e serve para conferir a regularidade na hora da compra. A diferença entre as duas datas está explicada no artigo o que é o CA do EPI e como consultar.
Onde ver a data de fabricação no casco
A NR-6 exige que todo EPI traga gravados o nome do fabricante ou importador, o lote e o número do CA. Em boa parte dos capacetes, a data de fabricação aparece moldada no próprio casco, geralmente na parte interna, muitas vezes no formato de um pequeno relógio com o mês e o ano, ou em um código que o manual ensina a ler. Alguns fabricantes pedem ainda que o usuário anote a data em que começou a usar o capacete em uma etiqueta interna.
Ao receber um lote novo, vale conferir essa data. Um capacete parado em estoque por muito tempo, especialmente em local quente, já começa a vida útil com desvantagem. Há fabricantes que separam o tempo máximo de armazenamento antes do primeiro uso do tempo de serviço depois que o capacete entra em campo, e essa informação está no manual.
O que encurta a vida útil do capacete
O casco costuma ser de material termoplástico, que perde resistência com o tempo e com as condições de uso. Os principais inimigos são:
Radiação solar (UV): é o fator mais comum no Nordeste. A exposição contínua resseca o plástico, desbota a cor e torna o casco quebradiço. Em obras a céu aberto, salinas, campos de petróleo e lavouras, a troca tende a ser mais frequente.
Calor: deixar o capacete no painel do carro ou perto de fornos e estufas acelera o envelhecimento.
Produtos químicos: solventes, combustíveis, graxas, tintas e vapores orgânicos atacam o material. Limpar com thinner ou gasolina compromete a resistência a impactos.
Impactos: um capacete que recebeu uma pancada forte ou caiu de altura considerável pode ter danos internos invisíveis. A orientação geral dos fabricantes é substituí-lo.
Modificações: furar o casco, pintar, colar adesivos não autorizados pelo fabricante ou guardar objetos entre a carneira e o casco altera o comportamento do equipamento.
Por isso, o prazo do manual deve ser lido como teto, não como meta. O técnico de segurança, a partir da avaliação de riscos da atividade, pode definir uma periodicidade de troca menor para determinadas funções.
Sinais de que é hora de trocar
A inspeção visual antes de cada uso é a ferramenta mais eficiente para decidir a troca. Substitua o capacete quando notar:
trincas, fissuras ou furos em qualquer ponto do casco;
deformações, amassados ou áreas esfoladas de forma excessiva;
ressecamento, aspecto de giz ou cor muito desbotada;
perda de flexibilidade: o casco estala ou não volta à forma ao ser pressionado levemente nas laterais;
manchas causadas por produtos químicos;
carneira com fitas desfiadas, plástico rachado ou ajuste que não trava mais.
Situação
O que fazer
Casco íntegro, carneira gasta
Trocar a carneira por uma compatível, indicada pelo fabricante
Casco com trinca, deformação ou ressecamento
Trocar o capacete inteiro
Capacete que sofreu impacto forte
Retirar de uso e substituir
Prazo do fabricante atingido, sem danos visíveis
Substituir mesmo assim
Carneira e suspensão: troca independente
A carneira (ou suspensão) é o conjunto de fitas e ajustes que mantém o casco afastado da cabeça e distribui a energia de um impacto. Por ficar em contato com o suor e ser manuseada todo dia, ela costuma se desgastar antes do casco, e vários fabricantes recomendam trocá-la em intervalos mais curtos. O manual informa a periodicidade e qual peça de reposição é compatível. Usar uma carneira de outro modelo pode alterar a distância entre a cabeça e o casco e reduzir a proteção.
A jugular, quando usada, também entra na inspeção: elástico frouxo ou presilha quebrada pedem troca. Em trabalho em altura, ela evita que o capacete caia em uma queda ou movimento brusco.
Como armazenar e conservar
Guarde em local fresco, seco e longe do sol direto, se possível em armário ou suporte próprio.
Não deixe o capacete dentro do carro exposto ao sol nem jogado na carroceria.
Limpe com água e sabão neutro e deixe secar à sombra. Evite solventes e produtos abrasivos.
Não apoie peso sobre o casco e não o use como banco ou recipiente.
Mantenha o manual do fabricante acessível, junto com o registro da data de início de uso.
Para a empresa, controlar a idade dos capacetes faz parte das obrigações de manutenção e substituição previstas na NR-6, detalhadas no artigo sobre o que a NR-6 exige da empresa com o EPI. Uma planilha simples com a data de fabricação, a data de início de uso e o trabalhador responsável já evita que capacetes vencidos continuem circulando.
O capacete também raramente trabalha sozinho. Em atividades com partículas, faíscas ou respingos, ele é usado junto com óculos de segurança ou protetor facial, e o conjunto precisa ser compatível, sem que um equipamento atrapalhe o ajuste do outro.
Onde comprar em Mossoró
Se a inspeção mostrou que é hora de trocar casco ou carneira, a Casa do EPI, em Mossoró, atende empresas e quem compra no balcão. Conheça os capacetes de segurança do catálogo, que inclui modelos MSA, e confirme pelo WhatsApp a disponibilidade, o CA e a carneira compatível.
O Certificado de Aprovação é o que autoriza um EPI a ser vendido e usado no Brasil. Veja onde achar o número, como consultar no CAEPI e por que a validade do CA não é a validade do produto.
A NR-6 define o que a empresa precisa fazer com o EPI: comprar com CA, fornecer de graça, treinar, exigir o uso, trocar quando estraga e registrar o fornecimento. Veja cada dever e como organizar a rotina.