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PFF2 ou PFF3: qual a diferença e quando usar cada uma?

Publicado em Por equipe Casa do EPI

A diferença entre PFF2 e PFF3 está na eficiência mínima de filtragem: pela ABNT NBR 13698, a PFF2 precisa reter ao menos 94% das partículas do ensaio e a PFF3, ao menos 99%. A PFF2 atende boa parte das atividades com poeiras e névoas, enquanto a PFF3 é reservada a particulados de toxicidade mais alta, conforme a avaliação de riscos da empresa. Nas duas, a proteção depende de uma boa vedação no rosto, e nenhuma delas protege contra gases e vapores. A seguir, a Casa do EPI, loja de EPI em Mossoró, detalha cada ponto para ajudar na escolha.

O que significa PFF

PFF é a sigla de peça facial filtrante: um respirador em que o próprio corpo da máscara é o filtro. Não há cartucho para trocar; quando o material filtrante satura ou a peça se deforma, descarta-se a máscara inteira. Ela cobre nariz e boca e é presa por elásticos atrás da cabeça, por isso é classificada como semifacial.

No Brasil, esse tipo de respirador é ensaiado pela ABNT NBR 13698 e, como todo EPI, só pode ser fornecido ao trabalhador com Certificado de Aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho. Se você ainda tem dúvida sobre esse documento, vale ler o artigo o que é CA de EPI e como conferir antes de comprar.

Classes PFF1, PFF2 e PFF3

O número depois da sigla indica a classe do filtro, ou seja, quanto de partícula ele deixa passar no ensaio de laboratório. Quanto mais alta a classe, menor a penetração permitida:

  • PFF1: eficiência mínima de 80% (penetração máxima de 20%). Indicada para poeiras incômodas, de baixa toxicidade.
  • PFF2: eficiência mínima de 94% (penetração máxima de 6%). É a classe mais comum em obras, marcenarias, mineração, agricultura e serviços de saúde.
  • PFF3: eficiência mínima de 99% (penetração máxima de 1%). Usada quando o particulado tem toxicidade elevada e a margem de erro precisa ser pequena.

É comum ver as letras S ou SL ao lado da classe, como em “PFF2 (S)” ou “PFF3 (SL)”. O S indica aprovação para aerossóis sólidos e líquidos não oleosos; o SL estende a aprovação a névoas oleosas. Quem trabalha perto de óleo de corte, pulverização com óleo mineral ou lubrificantes em spray precisa observar essa letra no CA.

Tabela comparativa: PFF1, PFF2 e PFF3

ClasseEficiência mínimaSituações típicas
PFF180%Poeiras incômodas, varrição leve, limpeza com pouca geração de pó
PFF294%Corte e lixamento na construção, marcenaria, poeira de grãos, fumos de solda, serviços de saúde
PFF399%Particulados de alta toxicidade definidos pela avaliação de riscos

A tabela é um ponto de partida. A escolha final depende do contaminante, da concentração medida e do tempo de exposição, avaliados pelo profissional de segurança dentro do gerenciamento de riscos da empresa.

Poeiras, névoas e fumos: contra o que a PFF protege

A PFF é um respirador purificador de ar para particulados, que se dividem em três grupos principais:

  • Poeiras: partículas sólidas geradas por corte, lixamento, moagem ou manuseio de pó, como cimento, madeira, sílica de pedras e argamassas, grãos e fibras.
  • Névoas: gotículas líquidas suspensas no ar, comuns em pintura com pistola, aplicação de defensivos e uso de fluidos de usinagem.
  • Fumos: partículas muito finas que se formam quando um metal é aquecido até vaporizar e se condensa no ar, como na soldagem e no corte a quente.

Em várias dessas tarefas a pessoa também está exposta a projeção de partículas nos olhos. Por isso, o respirador costuma ser usado junto com óculos de segurança de modelo compatível, que não atrapalhe a vedação no nariz nem embace com o ar exalado.

Por que a vedação pesa mais que a classe

O ar sempre segue o caminho mais fácil. Se houver uma fresta entre a máscara e o rosto, o ar contaminado entra por ali sem passar pelo filtro. Na prática, uma PFF3 mal ajustada pode proteger menos do que uma PFF2 bem vedada.

Alguns cuidados fazem diferença real:

  • Barba: pelos na área de contato impedem a vedação. Para quem usa respirador com regularidade, a orientação técnica é manter o rosto barbeado nessa região.
  • Clipe nasal: deve ser moldado com as duas mãos, contornando o nariz, e não apertado com os dedos em pinça.
  • Elásticos: um passa acima das orelhas e o outro na nuca, sem cruzar e sem ficar frouxo.
  • Verificação de vedação: a cada colocação, cubra a máscara com as mãos e expire com força; se sentir ar escapando pelas bordas, reajuste antes de entrar na área de risco.
  • Tamanho e formato: rostos diferentes pedem modelos diferentes. Por isso as empresas fazem o ensaio de vedação para definir qual peça serve a cada trabalhador.

Válvula de exalação: com ou sem?

A válvula é uma peça plástica na frente da máscara que se abre quando a pessoa expira. Ela não muda a classe do filtro; o ar que você respira continua passando pelo material filtrante. O que muda é o conforto: o ar quente e úmido sai com mais facilidade, a sensação de abafamento diminui e os óculos embaçam menos, algo que conta muito em jornadas longas no calor.

A versão sem válvula é a indicada quando também é preciso proteger o ambiente do ar exalado pelo usuário, como em serviços de saúde e em áreas limpas, já que o ar que sai pela válvula não é filtrado.

PFF não protege contra gases e vapores

Esse é o erro mais perigoso. Solventes, tintas à base de solvente, amônia, cloro, combustíveis e muitos agrotóxicos liberam gases e vapores, que são moléculas e atravessam o filtro de partículas. Para esses agentes, o caminho é um respirador semifacial ou facial inteiro com cartucho químico específico para o contaminante, às vezes combinado com filtro para partículas.

Algumas PFFs trazem uma camada de carvão ativado para aliviar odores incômodos em baixa concentração. Isso não as transforma em proteção contra vapores em níveis perigosos. E nenhum respirador purificador serve para locais com pouco oxigênio, como espaços confinados sem ventilação: nesse caso, entram equipamentos de adução de ar.

Quando trocar a máscara

O manual do fabricante manda, mas alguns sinais indicam que a peça chegou ao fim:

  • respirar ficou mais difícil, sinal de filtro saturado;
  • a máscara está amassada, rasgada, úmida ou visivelmente suja por dentro;
  • os elásticos perderam a tensão ou o clipe nasal não segura mais a forma;
  • a vedação não passa na verificação feita ao colocar.

Guarde a máscara em local limpo e seco, longe de poeira e produtos químicos, e nunca a compartilhe com outra pessoa.

O papel do PPR na empresa

Para empregadores, fornecer o respirador não basta. A Instrução Normativa SSST de 11 de abril de 1994 determina que as empresas sigam, no que couber, as recomendações da Fundacentro reunidas na publicação “Programa de Proteção Respiratória: Recomendações, Seleção e Uso de Respiradores”. Esse programa, o PPR, prevê procedimentos escritos de seleção, treinamento sobre uso e limitações, ensaio de vedação, avaliação médica quando recomendada, higienização e guarda adequadas e monitoramento dos riscos.

Essas exigências se somam às obrigações gerais da NR-6, como fornecer o EPI adequado, exigir o uso e substituir quando danificado. O assunto está detalhado no artigo sobre obrigações da empresa na NR-6, e o número do CA de qualquer respirador pode ser conferido na consulta oficial de CA do Ministério do Trabalho.

Onde comprar em Mossoró

Já sabe qual classe a sua atividade pede, ou precisa conferir antes de fechar a compra? Conheça as opções de máscara respiratória e fale com a equipe da Casa do EPI pelo WhatsApp, informando o contaminante e a quantidade. Atendemos empresas e também quem compra no balcão, no Centro de Mossoró, e informamos o CA do modelo escolhido.

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